Início/Blog/Estatísticas 2025
🚨 Estatísticas · Acidentologia

806.011 acidentes
em 2025: brasil bate
o recorde histórico
de mortes no trabalho

📅 Junho de 2026
12 min de leitura
✍️ Equipe Ciência e Segurança
📂 Estatísticas · Acidentologia · GRO · 2025

O Brasil encerrou 2025 com os piores números de acidentes de trabalho de sua história recente. Segundo dados consolidados do INSS e do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, foram 806.011 acidentes registrados e 3.644 mortes — um aumento de 65,8% em acidentes e 60,8% em mortalidade em relação a 2020. Não se trata de uma crise passageira: é uma tendência de cinco anos de agravamento contínuo.

Esses números têm nome, rosto e endereço. São motoristas de caminhão, serventes de obras, alimentadores de linha de produção, vigilantes e motoboys. São setores específicos, riscos conhecidos e, na maioria dos casos, mortes que poderiam ter sido evitadas com gestão adequada.

806 mil
Acidentes registrados em 2025
▲ +65,8% vs. 2020
3.644
Mortes no trabalho em 2025
▲ +60,8% vs. 2020
10
Mortes por dia em média
Recorde histórico da série

⚠️ Recorde histórico confirmado: 2025 é o ano com o maior número absoluto de acidentes e mortes no trabalho registrados no Brasil desde o início da série histórica. O crescimento de 65,8% em cinco anos não é flutuação estatística — é falha sistêmica de prevenção.

Setores com Maior Volume de Acidentes

Quando analisamos o volume bruto de acidentes por setor econômico (CNAE), seis grupos concentram a maior parte das ocorrências. A saúde e assistência social lidera de forma expressiva, reflexo do contingente enorme de trabalhadores e da intensidade das atividades.

# Setor (CNAE) Acidentes
01Atendimento Hospitalar500.032
02Supermercados e Hipermercados204.277
03Administração Pública Federal177.078
04Transporte Rodoviário de Cargas143.367
05Pronto-Socorro e Emergências133.446
06Construção de Edifícios122.455

O setor de atendimento hospitalar concentra mais de 500 mil acidentes — isoladamente, um número maior do que todos os acidentes registrados no Brasil em 2010. Isso reflete não apenas o volume de trabalhadores, mas as condições específicas de exposição: turnos longos, esforço físico constante, risco biológico e violência no trabalho.

Setores com Maior Taxa de Letalidade

Volume e letalidade contam histórias diferentes. Os setores mais letais não são os que registram mais acidentes — são os que matam mais a cada mil acidentes. Aqui, o transporte rodoviário domina de forma alarmante.

# Setor (CNAE) Taxa (mortes/1.000)
01Transporte de Produtos Perigosos880,0
02Transporte Coletivo Municipal564,2
03Transporte Intermunicipal de Passageiros526,6
04Serviços de Vigilância350,1
05Construção de Edifícios238,1

📌 Dado crítico: o transporte de produtos perigosos apresenta taxa de letalidade de 880 mortes por mil acidentes registrados. Isso significa que a cada acidente neste setor, a probabilidade de morte é quase garantida — reflexo direto da gravidade das ocorrências envolvendo cargas explosivas, inflamáveis e tóxicas.

As Ocupações Mais Mortais de 2025

Cinco ocupações concentraram as maiores contagens absolutas de mortes em 2025. A presença do motorista de caminhão no topo — com quase 4.250 óbitos — é consistente com a predominância do transporte rodoviário nos rankings de letalidade.

Construção Civil: Mortes Evitáveis por Causas Conhecidas

A construção civil merece análise separada. Com 122.455 acidentes e taxa de letalidade de 238,1 por mil, o setor combina volume expressivo com alta gravidade — e as causas são amplamente conhecidas e preveníveis.

Causas Principais de Morte na Construção

🚧 O paradoxo da construção: a NR-18 (Condições de Trabalho na Indústria da Construção) é uma das normas mais detalhadas do sistema brasileiro. As causas de morte em 2025 são as mesmas documentadas há 20 anos. O problema não é ausência de norma — é ausência de implementação e fiscalização efetiva em obra.

A Tendência 2020–2025: Por que o Número Cresceu?

O crescimento de 65,8% em acidentes e 60,8% em mortes entre 2020 e 2025 não tem uma causa única. É resultado de uma combinação de fatores estruturais que se agravaram no período:

O que Muda em 2026: GRO, NR-01 e Monitoramento de Saúde Mental

Os dados de 2025 chegam em um momento de transição regulatória importante. Duas mudanças em vigor em 2026 têm potencial direto sobre os números do próximo relatório.

Obrigatoriedade do GRO/PGR — Fiscalização Ativa

O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deixaram de ser recomendação para se tornarem obrigação legal com fiscalização ativa. Empresas sem documentação adequada estão sujeitas a autuação, interdição e responsabilização. A expectativa é que a pressão regulatória force movimentos em setores que ainda operam com gestão de SST puramente reativa.

Riscos Psicossociais no PGR — NR-01 Atualizada

A atualização da NR-01, em vigor desde maio de 2026, tornou obrigatório o inventário de riscos psicossociais no PGR. Isso significa que estresse crônico, sobrecarga, assédio e condições de trabalho adversas passam a ser gerenciados formalmente — com identificação, avaliação, controle e monitoramento. Para setores como transporte e saúde, onde a carga psicológica é fator direto de acidente, o impacto pode ser significativo a médio prazo.

🎯 O que os dados pedem: os números de 2025 demonstram que o Brasil precisa de menos reatividade e mais prevenção estruturada. A combinação de GRO obrigatório, fiscalização ativa e inventário de riscos psicossociais cria, pela primeira vez, uma arquitetura regulatória que pode dobrar a curva — se implementada de verdade.

Conclusão: O Que os Números Exigem

806.011 acidentes e 3.644 mortes não são apenas estatísticas. São famílias afetadas, capacidade produtiva destruída e um custo social que o Brasil não pode continuar ignorando. O sistema previdenciário absorve bilhões em benefícios por incapacidade; empresas perdem em produtividade, rotatividade e processos judiciais; trabalhadores pagam com o corpo e a vida.

A mensagem dos dados de 2025 é clara: as ferramentas regulatórias existem. As causas são conhecidas. O que falta é implementação — e a cobrança vem chegando, via eSocial, fiscalização do GRO e responsabilização civil e criminal. Empresas que ainda tratam SST como overhead vão descobrir, nos próximos anos, que o custo da prevenção é menor do que o custo da negligência.

Para organizações que querem estar do lado certo dessa virada, o momento de agir é agora — antes que os dados de 2026 repitam a história.